Em 2001, o Centro de Controle de Doenças (CDC) nos Estados Unidos anunciou pela primeira vez que a queda em idosos era a principal causa de morte acidental em pessoas acima de 65 anos naquele país. Desde então, as taxas de mortalidade por queda entre homens e mulheres idosas aumentaram drasticamente e em 2009, aproximadamente 20,400 idosos morreram de ferimentos ocasionados por quedas não intencionais.

Atualmente no Brasil, as estatísticas também indicam que as quedas em idosos representam um grande problema de saúde pública, já que aproximadamente 30% das pessoas acima de 65 anos caem pelo menos uma vez por ano e nestes casos, 5 a 10% resultam em ferimentos importantes, além de outras consequências comuns como a deteriorização da qualidade de vida, o aumento da mortalidade e o risco de uma hospitalização prolongada. Todos estes dados e o fato de que há um aumento no envelhecimento populacional resultaram numa vasta produção científica sobre o tema nos últimos anos, já que a redução, a prevenção e a reabilitação de quedas em idosos tornou-se uma prioridade de saúde internacional (Child, Goodwin, Garside, Jones-Hughes, Boddy, Stein, 2012).

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Exercício diminui risco de queda em idosos

Durante este período, as ciências do movimento têm procurado entender quais são os tipos de atividades físicas que devem fazer parte de um programa de prevenção de queda em idosos, bem como qual deve ser a intensidade, a frequência e a duração dos estímulos para que resultados significativos sejam observados com os programas de exercícios para idosos.

Com relação aos tipos de atividades, consensos na literatura concluíram que a atividade física regular e mais especificamente, atividades de fortalecimento muscular e treinamento de equilíbrio devem ser sugeridas (Todd, Skelton, 2004, ACSM, 2009; Gillespie, Robertson, Gillespie, Sherrington, Gates, Clemson, Lamb, 2012).

Entretanto, uma revisão recente da literatura não mostrou que o treinamento progressivo de força, se desenvolvido isoladamente, seria eficaz na melhoria do equilíbrio em pessoas idosas (Orr, Raymond, Singh, 2008). Os autores acreditam que os estudos por eles analisados, não tinham como alvo principal no treinamento de força, os músculos que poderiam levar a uma adaptação neural específica para o controle do equilíbrio. Entretanto, numa grande revisão da literatura Sherrington, Whitney, Lord, Herbert, Cumming e Close (2008) revelaram três aspectos que parecem ser essenciais para a redução de quedas em idosos: os exercícios de equilíbrio, a dosagem do exercício e a ausência de um programa de caminhadas.

Com relação aos exercícios de equilíbrio, constatou-se que há uma redução de 17% do risco de queda em idosos nos programas que incluem treinamento de equilíbrio, mas não nas outras formas de exercício. Os autores ainda citaram as estatísticas apresentadas pelo Programa de Exercício de Otago (Otago Exercise Programme) que produziu uma redução de 35% nas quedas e nas lesões relacionadas às quedas quando idosos participam destas atividades. Este programa, criado pela Escola de Medicina de Otago em 2003, foi considerado factível e seguro para pessoas idosas realizarem em casa após a instrução nas cinco primeiras sessões feitas por um instrutor. Um descritivo dos exercícios de equilíbrio e sua modulação em nível de dificuldade, que são sugeridos no Programa de Otago está apresentado abaixo, mas é importante lembrar que há também no programa exercícios de força.
Outro achado nesta revisão diz respeito á dose de exercícios, pois observou-se que há melhores índices de redução de quedas em pessoas que se exercitam ao menos 2 vezes por semana e por pelo menos 25 semanas. Também foi verificado algo que pode ser contraditório, mas a ausência de um programa de caminhada resultou em um menor número de quedas nos programas. Os autores dão duas explicações para o fato: a possibilidade de caminhando as pessoas caírem mais e também o fato das pessoas se engajarem em caminhadas por mais tempo, reduzindo o tempo da prática específica de equilíbrio, que seria o exercício mais eficiente. Entretanto, os autores apressam-se em lembrar da importância da caminhada para outros benefícios para os idosos como a redução da hipertensão arterial. Sendo assim, concluem que a caminhada pode e deve ser realizada, mas somente se além dela, forem praticados os exercícios de equilíbrio para aqueles cujo objetivo maior é se expor menos às quedas.

Programa de Exercício de Otago

É importante lembrar que exercícios de equilíbrio devem primar pela segurança do praticante. Para maiores instruções sobr o programa, clique aqui e acesse o manual completo.

 

Exercícios para retreinar o equilíbrio

Nível A Nível B Nível C Nível D
Flexão de joelhosflexao de joelho 10 repetiçõesMantém suporte I) 10 repetições, sem suporteII) 10 repetiçõesSegurando num apoio e repete 10 repetições, sem apoio e repete  3X10 repetições e sem apoio
Andar de costas 10 passos4 repetiçõesSegurando em um apoio 10 passos4 repetiçõesSem apoio
Andar e virar Caminhar e virar (fazer a figura do 8)2 repetiçõesUsar um apoio para a marcha Caminhar e virar (fazer a figura do 8)2 repetiçõesSem apoio
Andar de lado 10 passos4 repetiçõesCom apoio para a marcha 10 passos4 repetiçõesSem apoio
Manutenção da posição de tandem 10 segSegurando em um apoio 10 segSem apoio
Caminhada na posição tandemcaminhada posição tandem Caminhar 10 passosSegurar no apoioRepetir Caminhar 10 passosSem apoioRepetir
Apoio num pé só 10 segCom apoio 10 segSem apoio
Andar no calcanhar 10 passos4 repetiçõesCom apoio 10 passos4 repetiçõesCom apoio
Andar na ponta do pé 10 passos4 repetiçõesCom apoio 10 passos4 repetiçõesCom apoio
Andar de costas calcanhar/ponta do pé Andar 10 passosSem apoioRepetir
Sentar e Levantar 5 repetiçõesCom apoio das duas mãos I) 5 repetições com apoio de 1 mãoOUII)10 repetições 2 mãos para apoio I) 10 repetições sem apoioOUII)10 repetições 1 mão  para apoio e repete 10 repetições sem apoio   e repete
Subir escadas Como instruído Como instruído Como instruído Como instruído e repete